novembro 11, 2005

O M. de La Palisse começou a escrever na Focus!!!!

"O desenho feminino não se alterou com o passar dos séculos. Os órgãos sexuais da mulher do século XXI em nada diferem do da fêmea australopiteca. O que mudou foi o comportamento"

In Focus de 9 de Novembro de 2005

Publicado por sofiacouvreur às 01:53 PM | Comentários (2) | TrackBack

fevereiro 14, 2005

A única coisa que me apraz dizer hoje

A amizade é o amor sem asas

Lord Byron

Publicado por sofiacouvreur às 07:22 AM | Comentários (9)

fevereiro 08, 2005

8 de Fevereiro

Alma despe-se.
Põe um pouco de ordem nas coisas, arruma o seu pequeno quarto. Lava as meias.
Rega uma planta indefinível que está quase a murchar. Acende o rádio. Boceja várias vezes. Senta-se à beira da cama com um velho pijama vestido.
-Podemos sempre ir onde quisermos, ou quase, podemos fazer quase sempre o que nós quisermos. VOu casar-me com Karl-Henrik e vou ter filhos que eu mesma irei criar. Isso está determinado, está já dentro de mim. Nem sequer preciso de pensar, de perguntar como vai ser. Que enorme sensação de segurança! E depois, tenho um trabalho de que gosto. E isso é, em certa medidam reconfortante. No fundo, pergunto a mim própria, o que é que pode ter a senhora Vogler?

Ingmar bergman (1924)
Lágrimas e Suspiros, seguido de Persona e de Dependência
(tradução de Armando Silva Carvalho)

Publicado por sofiacouvreur às 03:57 PM

fevereiro 04, 2005

4 de Fevereiro

[...]
O amor é fodido. Os outros, frequentemente, deixam de existir. São muitos. Não percebem nada. Querem ajudar sem se darem ao trabalho, que levaria anos, de tentar perceber. Tu dizias "os nossos amigos são como as estações, onde esperamos que venha o amor que nos vai levar". Eras fresca, tu. Fazias-me sentir uma carruagem de segunda classe de um comboio que não sabia conduzir, que me levava para lugar incerto, sendo só certo que eu apenas fazia parte da composição, por um lado - e, pelo outro, que não queria ir.
[...]

Miguel Esteves Cardoso (1955)
O Amor É Fodido

Publicado por sofiacouvreur às 09:42 AM | Comentários (2)

fevereiro 02, 2005

2 de Fevereiro

[...]
- Havia vários outros rapazes com as mesmas opiniões que eu. A maioria era de operários, mas havia um ou outro que o não era; o que éramos todos era pobres, e, que melembre,não éramos muito estúpidos. A gente tinha uma certa vontade de se instruir, de saber coisas, e ao mesmo tempo uma vontade de propaganda, de espalhar as nossas ideias. Queríamos para nós e para os outros - para a humanidade inteira - uma sociedade nova, livre destes preconceitos todos, que fazem os homens desiguais artificialmente e lhe impõem inferioridades, sofrimentos, estreitezas, que a Natureza lhes não tinha imposto. Por mim,o que eu lia confirmava-me nestas opiniões. Em livros libertários baratos - os que havia ao tempo, e eram já bastantes - liquase tudo. Fui a conferências e comícios dos propagandistas do tempo. Cada livro e cada discurso me convencia mais da certeza e da justiça das minhas ideias. O que eu pensava então - repito-lhe, meu amigo - é o que penso hoje; a única diferença é que então pensava-o só, e hoje penso-o e pratico-o.
[...]

Fernando Pessoa (1888-1935)
O Banqueiro Anarquista
(edição de Manuela Pereira da Silva)

Publicado por sofiacouvreur às 08:15 AM

janeiro 31, 2005

31 de Janeiro

Um beijo sem boca

E para terminar, é precisamente a boca que nos vai servir para falar do paraíso.

A boca que é um polo de tensão nervosa - cerrar os dentes, morder a língua, cigarros - mas também de escape gratificante, indulgência com os prazeres sensuais. A boca que acolhe os alimentos da sobrevivência e resguarda os dentes, derradeiros despojos.

A boca. Lugar de três paraísos:
- O paraíso religioso da comunhão com o corpo de Deus, através da hóstia consagrada;
- O paraíso infantil da comunhão com o corpo da Mãe, através da amamentação; ou das delícias da descoberta dos primeiros sabores;
- O paraíso sexual da comunhão com o corpo de alguém, através do beijo, para dar só um exemplo.

O paraíso perdido é, então, bem feitas as contas, o da coincidência física e espiritual com o corpo, um corpo, mas que corpo de quem?

A resposta seria infância, religião, prazer, família, memória, e todas as outras palavras que só a muito custo, ou talvez nem mesmo a muito custo, aqui se poderiam acrescentar.

Isso falta. Falta a resposta. O que há, então, é a falta. Chama-se-lhe vida e disso se vive. Mais ou menos.

Alexandre Melo (1959)
Aventuras no Mundo da Arte

Publicado por sofiacouvreur às 09:31 AM

janeiro 08, 2005

8 e 9 de Janeiro

[...]
Tinham passado sessenta e um anos desde aquele ano de 1828 em que os primeiros omnibus apareceram em Paris e em que um padre de Saratov registara no seu livro deorações: “12 de Julho, à hora terceira da manhã, um filho nascido, Nikolai... Baptizado na manhã de 13 antes da missa. Padrinho: Arcebispo Fed. Stef. Vyazovskii...” Este nome seria mais tarde dado por Tchernychevskii ao protagonista e narrador das suas novelas siberianas – e por uma estranha coincidência foi assim, ou quase (F.V...skii) que um poeta desconhecido assinou, na revista Século (Novembro de 1909), catorze versos dedicados, segundo informação em nosso poder, à memória de N. G. Tchernychevskii – soneto medíocre mas estranho que aqui reproduzimos na íntegra:

Que dirá a voz dos teus descendentes,
Em louvou ou escárnio datua vida:
Que horrível? Noutra hora nascida
Doce seria? Outra não consentes?

Que não foi em vão o teu alto feitio,
- A poesia do Bem, ígneo labor -,
E das grilhetas do martírio a dor
Te encheu duma luz etérea o peito?

Vladimir Nabokiv (1899-1977)
O Dom
(tradução de Carlos Leite)

Publicado por sofiacouvreur às 10:14 AM

janeiro 07, 2005

7 de Janeiro

7_janeiro.jpg

Henrique Pousão (1859 – 1884)
In Henrique Pousão, de Bernardo Pinto de Almeida

Publicado por sofiacouvreur às 05:02 AM | Comentários (4)

janeiro 06, 2005

6 de Janeiro

O Céu beijou a Terra e deixou-lhe impressa no rosto a sua efígie deslumbrante.
O Céu é a imagem da Terra, mas indefinida e transparente.
Noivam, todos os anos, o Céu e a Terra.

Teixeira de Pascoaes (1877 – 1952)
O Pobre Tolo – Prosa e Poesia

Publicado por sofiacouvreur às 11:13 AM

janeiro 05, 2005

5 de Janeiro

Hoje, como me oprimisse a sensação do corpo daquela angústia antigo que por vezes extravasa, não comi bem, nem bebi o costume, no restaurante, ou casa de pasto, em cuja sobreloja baseio a continuação da minha existência. E como, ao sair eu, o criado verificasse que a garrafa de vinho ficara em meio voltou-se para mim e disse: “Até logo, sr. Soares, e desejo as melhoras.”
Ao toque de clarim desta frase simplesa minha alma aliviou-se como se num céu de nuvens o vento de repente as afastasse. E então reconheci o que nunca claramente reconhecera, que nestes criados de café e de restaurante, nos barbeiros, nos moços de frete das esquinas, eu tenho uma simpatia espontânea, natural, que não posso orgulhar-me de receber dos que privam comigo em maior intimidade, impropriamente dita...
A fraternidade tem subtilezas.
Uns governam o mundo, outros são o mundo. Entre um milionário americano, um César ou Napoleãp, ou Lenine, e o chefe socialista da aldeia – não há diferença de qualidade mas apenas de quantidade. Abaixo destes estamos nós,os amorfos,o dramaturgo atabalhoado William Shakespeare, o mestre escola John Milton, o vadio DanteAlighieri, o moço de fretes que me fez ontem o recado, ou o barbeiro que me conta anedotas, o criado que acaba de me fazer a fraternidade de me desejar aquelas melhoras, por eu não ter bebido senão metade do vinho.

Bernardo Soares (Pessoa 1888-1935)
Livro do Desassossego
(edição de Richard Zenith)

Publicado por sofiacouvreur às 11:38 PM | Comentários (4)

janeiro 04, 2005

4 de Janeiro

4_janeiro.jpg

Fernando Varanda (1941)
Mértola no Algarve
Fotografia de Fernando Varanda, Isabel Campos, José Luís Varanda, Luís Guita e Rui Guita

Publicado por sofiacouvreur às 06:45 AM | Comentários (1)

janeiro 03, 2005

3 de Janeiro

Cada novo conhecimento importante que se faz decompõe-nos e volta a compor-nos. Se esse conhecimento for da maior importância, passamos por uma refeneração.

Hugo von Hofmannsthal (1974-1929)
Livro dos Amigos
(tradução de José A. Palma Caetano)

Publicado por sofiacouvreur às 10:03 AM | Comentários (1)

janeiro 01, 2005

1 e 2 de Janeiro

1_2_janeiro.jpg
Pormenor do Túmulo do Triclínio (480-470 a.C.), encontrado em 1830

D. H. Lawrance (1885-1930)
Lugares Etruscos
(tradução de Helder Moura Pereira)

Publicado por sofiacouvreur às 05:59 PM

Imaginário 2005

As estações sucedem-se – nessa banalidade se vão desfiando os cordéis com que as Parcas nos sustentam; mas regressa o sol num dia de Inverno, a chuva em Agosto, as flores e as cerejas, o vermelho e o castanho das folhas de Outono.

Pegadas na memória, por vezes como dor, outras como consolo. A teia das imagens que nos amparam, os fragmentos de conversas em que nos ouvimos e escutamos os outros.

Prismas que refractam a geometria do tempo.

Autor desconhecido

Publicado por sofiacouvreur às 05:50 PM | Comentários (1)

dezembro 15, 2004

...

"You want a reason: I'll give you reasons, don't change your ideals with every season, just look inside yourself for information and make you own life a celebration, you've got the power to be strong, an education that should be lifelong, don't be a victim of expectations, just make your own life a celebration."

The Beloved, Conscience

Publicado por sofiacouvreur às 09:37 AM | Comentários (2)

Luz de uma estrela morta

"Gostaria de pensar que existe alguma coisa certa no aforismo AMOR VINCIT OMNIA. Mas se alguma coisa aprendi nesta curta e triste vida é que essa frase feita é mentira. E o que nela acreditar, um insensato."

Donna Tart, O Segredo

Publicado por sofiacouvreur às 09:35 AM

dezembro 13, 2004

No lugar do medo

"Lá, onde começa o desejo, no lugar do medo.
onde nada tem nome e nada é, antes parece."

Cristina Peri Rossi, Desastres Íntimos

Publicado por sofiacouvreur às 12:36 PM

dezembro 09, 2004

A cidade em ruínas

"O amor pertence a si mesmo, surdo às súplicas, imutável perante a violência. O amor não é uma coisa que se possa negociar. O amor é a única coisa mais forte do que o desejo, a única razão justa para resistir à tentação."

Jeanette Winterson, Escrito no Corpo

Estou a adorar este livro que recebi de surpresa sem saber muito bem o que fiz para merecer esta amizade!

Beijos aos molhos,
Sofia

Publicado por sofiacouvreur às 11:15 AM | Comentários (1)

dezembro 08, 2004

...

"Não insistas comigo para que te deixe e me vá,
Porque para onde tu fores irei eu também
E onde quer que morares morarei eu também.
O teu povo será o meu povo e o teu Deus o meu Deus.
E nada, excepto a morte, poderá separar-nos."

Rute e Noemi. RUTE, 1; 16-17

Publicado por sofiacouvreur às 08:19 PM | Comentários (5)