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fevereiro 02, 2005
2 de Fevereiro
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- Havia vários outros rapazes com as mesmas opiniões que eu. A maioria era de operários, mas havia um ou outro que o não era; o que éramos todos era pobres, e, que melembre,não éramos muito estúpidos. A gente tinha uma certa vontade de se instruir, de saber coisas, e ao mesmo tempo uma vontade de propaganda, de espalhar as nossas ideias. Queríamos para nós e para os outros - para a humanidade inteira - uma sociedade nova, livre destes preconceitos todos, que fazem os homens desiguais artificialmente e lhe impõem inferioridades, sofrimentos, estreitezas, que a Natureza lhes não tinha imposto. Por mim,o que eu lia confirmava-me nestas opiniões. Em livros libertários baratos - os que havia ao tempo, e eram já bastantes - liquase tudo. Fui a conferências e comícios dos propagandistas do tempo. Cada livro e cada discurso me convencia mais da certeza e da justiça das minhas ideias. O que eu pensava então - repito-lhe, meu amigo - é o que penso hoje; a única diferença é que então pensava-o só, e hoje penso-o e pratico-o.
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Fernando Pessoa (1888-1935)
O Banqueiro Anarquista
(edição de Manuela Pereira da Silva)
Publicado por sofiacouvreur às fevereiro 2, 2005 08:15 AM