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janeiro 08, 2005

8 e 9 de Janeiro

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Tinham passado sessenta e um anos desde aquele ano de 1828 em que os primeiros omnibus apareceram em Paris e em que um padre de Saratov registara no seu livro deorações: “12 de Julho, à hora terceira da manhã, um filho nascido, Nikolai... Baptizado na manhã de 13 antes da missa. Padrinho: Arcebispo Fed. Stef. Vyazovskii...” Este nome seria mais tarde dado por Tchernychevskii ao protagonista e narrador das suas novelas siberianas – e por uma estranha coincidência foi assim, ou quase (F.V...skii) que um poeta desconhecido assinou, na revista Século (Novembro de 1909), catorze versos dedicados, segundo informação em nosso poder, à memória de N. G. Tchernychevskii – soneto medíocre mas estranho que aqui reproduzimos na íntegra:

Que dirá a voz dos teus descendentes,
Em louvou ou escárnio datua vida:
Que horrível? Noutra hora nascida
Doce seria? Outra não consentes?

Que não foi em vão o teu alto feitio,
- A poesia do Bem, ígneo labor -,
E das grilhetas do martírio a dor
Te encheu duma luz etérea o peito?

Vladimir Nabokiv (1899-1977)
O Dom
(tradução de Carlos Leite)

Publicado por sofiacouvreur às janeiro 8, 2005 10:14 AM